Trabalho em uma Instituição que, entre outros serviços, atua como agente de integração de estágios, facilitando a relação Empresa – Centros de Conhecimento. O estágio é uma excelente oportunidade para o estudante iniciar sua vida profissional, apesar de não ser muito divulgado em algumas regiões do país.
Após alguns anos atuando nessa área, gostaria de compartilhar com
vocês a situação dos estudantes de Ensino Médio das escolas públicas.
Recebemos, diariamente, estudantes que se inscrevem para concorrer às
vagas de estágio para Ensino Médio Regular, onde o aluno (estagiário) é
encaminhado à empresa para desenvolver atividades que o preparem para
vida cidadã e para o trabalho, recebendo uma contraprestação em forma de
Bolsa-Auxílio pelas atividades desempenhadas.
Ao preencher o cadastro, perguntamos dados básicos e é ai que começa a
dura realidade da distorção do acesso à tecnologia. Seguindo
estimativas pessoais que considerei ao longo de quase 04 anos, ao serem
perguntados se possuem um endereço de e-mail, cerca de 70% dos
estudantes respondem o seguinte: - Sim, tenho o do Facebook. Ao serem
perguntados se acessam a caixa de entrada desse e-mail, cerca de 90%
respondem: - Não, só uso para o “Face”.
Daí todos os dias me pergunto como acontece essa democratização do
acesso à tecnologia, em que um aluno de Ensino Médio possui acesso ao
computador na escola, mas não aprende a utilizar a ferramenta com
início, meio e fim? Aprende apenas uma mínima parte do processo, o
necessário para determinada atividade ou nem mesmo isso.
É um aprendizado precário, de fachada. Não estão formando, estão
enganando a educação, oferecendo um “mais ou menos”. Pergunto a você: O
que um jovem fará com esse falso conhecimento ao ingressar no mercado de
trabalho? Logo a empresa perceberá suas deficiências e se não conseguir
aprender na marra e em pouquíssimo tempo, estará fora com certeza.
Inúmeros estudantes de Ensino Médio Regular buscam estágios, tão
jovens, com muita vontade de trabalhar, de ser “alguém na vida”, de
conquistar algo, mas percebo que eles estão com a visão embaçada, não
conseguem enxergar para onde devem ir, o que devem fazer, pois estão
soltos, perdidos, sem orientação profissional, sem capacitação técnica e
comportamental.
Uma das diretrizes do Plano Nacional de Educação(PNE) para o decênio
2011-2020 é a “formação para o trabalho”, mas o que vejo na educação de
Ensino Médio, é uma propagação de um mínimo conhecimento, de forma
precária e que acrescenta pouquíssimo na formação para o trabalho desses
estudantes.
Seguindo este caminho, o governo continua criando um arsenal de
Programas que são, na verdade, mais pedaços da colcha de retalhos e que
não precisariam ser implantados, gastando milhões e milhões, se fossem
oferecidas as condições necessárias para que a educação básica cumprisse
o que determina suas diretrizes.
E os jovens estudantes seguem suando, tentando, quebrando a cabeça,
alguns desistem e seguem caminhos obscuros, outros se salvam por pouco e
ficam estagnados, enquanto uma pequenina parte consegue seguir em
frente e se destacar, por mérito próprio, sem o alicerce fundamental e
obrigatório que deveria ser fornecido na escola.
Abraços,
Daniele Paulino

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